quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025 - Ano de construção

 Vamos para minha retrospectiva de 2025.


2 anos sem mamãe. Muitas saudades. E aprendendo a viver sozinho.


Em janeiro minha preocupação em não tá trabalhando ficou grande e eu precisava de algo para pagar as contas que já se mostravam alta e minhas economias não iriam durar por muito tempo. Então, a Maria me ofereceu a vaga de social media do Rudy's Bar. Ganhando bem pouco ainda, mas que já me ajudava muito. E assim iniciamos o ano de 2025. Fazendo o possível para ocupar a cabeça e continuar o caminho.


A luta com problemas em casa inicia com a nossa cachorra Pretinha com um surto de carrapatos em Fevereiro. Calor e chuva fazem de repente os carrapatos invadirem a casa. E a gente teve que correr para dedetizar, cuidar dela e limpar a casa. Trabalho, preocupação e gastos, bastante gastos.


E as despesas com manutenção aumentando e acontecendo de modo inesperado. Ar condicionado, fonte do computador que queima, boia da caixa dágua para de funcionar, cabo de energia se rompe, disjuntor que não aguenta mais a energia e a gente tem q trocar, microondas que desgasta, tudo isso e mais acontecendo além das contas regulares do mês. Um desafio para administrar e muita coisa pra aprender.


No meio disso ainda um dilema em relação aos documentos legais de inventário dos meus pais. Achavamos que estaria resolvido, mas não está. E isso me trouxe tristeza e solidão. Mas também me trouxe um objetivo. Quero concluir isso. Vai custar muito dinheiro, então preciso trabalhar muito e talvez nem realize, mas vou lutar para deixar essa parte legal organizada mesmo que custe minha vida inteira.


E outro objetivo que também pode custar toda minha vida é depois de concluir a divisão legal pelo inventário, é construir minha casa, o meu espaço. Por que hoje é uma tortura ter que dividir a casa e não ter autonomia para fazer o que quero, organizar do meu jeito. Enfim, é bem desgastante emocionalmente dividir a casa assim, obrigado. Claro que há coisas piores, situações muito piores. Mas essa é a que estou vivendo. Estou tentando conduzir da melhor forma possível, mas gostaria demais de que pudesse ter o meu canto, só meu e do jeito que eu quisesse. Então, essa é a meta de agora em diante.


Agora de outubro pra novembro a Maria conseguiu acrescentar mais coisas pra eu fazer e assim eu ter o mínimo para pagar as contas do mês sem precisar retirar das minhas economias. Isso me aliviou muito. E estamos lutando para que haja maneiras de entrar renda e que as coisas melhorem. O Lucas me chamou para trabalhar para ele também dentro do tempo que eu tinha, já que agora estava dividindo esse tempo entre o Rudy's e a Maria. Então, agora estou com o tempo extremamente ocupado. Mas ainda preciso encontrar um meio de aumentar a renda para alcançar meu objetivo.


Eu sonhei com mamãe, sentada do meu lado na cama. Eu perguntava se ela lembrava do que havia acontecido e ela dizia que não lembrava de nada. Eu pensava em contar, mas então parava e pensava, não e dizia pra ela viver daqui pra frente e não pensasse no passado. Agora escrevendo penso que talvez fosse ao contrário, fosse ela dizendo isso pra mim. Mas é muito dificil seguir sem ela, sem papai. Eu já me sentia muito sozinho, mas eu tinha os dois e hoje eles estão no céu e eu estou sozinho aqui.


Final de outubro Tia Dalva foi pro céu também. 26 de outubro. 2 anos e 2 meses depois de mamãe. Foi muito rápido. Ela descobriu o cancêr no pulmão e logo em seguida no corpo todo. Não houve tempo de tratamento. Passei dias pensando em ir visitá-la. Já que ela fez de tudo para vir no enterro de papai, veio quando mamãe estava internada. Mas eu não consegui ir. Doia demais. Eu pensava em ficar lá e chorar o tempo todo na frente dela, que ainda estava consciênte e que isso seria ruim. Quando ela internou, pensei que seria um transtorno para minha prima que estava cuidando dela e eu sei o quanto nesse momento a gente não tem cabeça para outra coisa. Enfim, não fui. Mas pensei muito. Mamãe, papai e eu somos pessoas assim, que demoram a agir, criam muitas dificuldades para fazer algo, enquanto a Tia Dalva, minha prima já são de fazer, elas não veem dificuldades que as param, elas vão. Somos diferentes, mas o amor existe e agora eles estão todos no céu. E espero que quando chegar minha hora eles venham me buscar.


Em novembro encontrei com a prima Alessandra em São Paulo. Ela veio fazer um curso e fui vê-la. Foi bom está com ela. A viagem foi cansativa. Ao mesmo tempo ver pessoas diferentes, em um lugar diferente é bastante entusiasmante. Mas não consigo fazer isso o tempo todo. Talvez um dia que a renda esteja melhor e a preocupação não seja as contas e a meta do objetivo.


Agora no natal a Fernanda insistiu pra gente fazer uma ceia. Mesmo que só para nós. Tentei. Confesso que não gosto de cozinhar, então é meio um fardo ter que cozinhar. Mas pelo menos não ficamos dependendo de ninguém. E eu não consegui me reunir com minha irmã e sobrinhos, não me senti bem para ir. Uma sensação de não pertencimento e me sentir melhor sozinho mesmo.


Enfim, mais um ano sem mamãe, sem papai e agora sem tia. Outras pessoas se foram também, como a dona Teresa, nossa vizinha. Eu tento não parar, tento me distrair e não pensar muito por que quando minha cabeça esvazia doi muito, e a saudade aumenta. Sei lá, foi um ano de construção, estou construindo o que eu quero daqui pra frente. Não é fácil, to fechando os olhos pra muita coisa, to deixando de lado muita coisa, tentando focar e dizendo pra mim mesmo que está tudo bem enquanto estiver tudo bem. Espero que ano que vem as coisas melhorem, a renda aumente e um pouco de tranquilidade em relação a isso venha. Saudades mamãe. Te amo demais!



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